sexta-feira, 15 de janeiro de 2016



Vale Dos Homosexuais

     
    Do meu quarto,eu ouvi uns comentários estranhos sobre travecas crucificadas e economia de energia, nada muito novo considerando que durante as noites você sempre encontra meus pais sentados em frente a televisão depois de um bom jantar.Eu estava lendo, uma leitura um tanto ousada para alguém como eu.Aquele livro do Salomão é tão cheio de juras apaixonadas que é difícil não sentir calor.Eu gosto.
    Enquanto eu lia,podia ouvir os comentários sobre a filha de um conhecido deles que virou lésbica e saiu de casa, foi expulsa, não sei ao certo.Sim,eles pareciam não gostar dela e sim,tudo aquilo de falar da vida dos outros me deixou sonolento pacas...







   - Oi, pode me dar uma informação?
   - Posso dar mais que isso, se você quiser.
   - Geralmente,o que se faz por aqui? Nem sei onde eu estou.
   - Se faz bastante coisa por aqui.Se faz em grupo,se faz com três,com dois,sozinho.Se faz só nas palavras,tem gente que nem dá beijo enquanto faz,eu acho isso horrível inclusive.
   - Mas espera, do que você falou?
   - Da única coisa que todos aqui tem em comum.
   - Aqui é tipo um albergue?
   - Se você encara assim,tudo bem.Só que aqui atendemos um tipo de gente mais específica.Pode entrar se quiser.
   - E por onde se entra?
   - Aquela porta enorme ali,sua carla.Ah é melhor eu ir contigo senão você vai perder mais do que só a tua dignidade.
   - Tudo bem então.

  Eu lembrei da minha primeira creche naquele lugar,tinha algumas serpentinas presas por barbantes acima das nossas cabeças e várias pequenas casas,todas coloridas também.As janelas eram todas abertas, assim como as portas.Tinha gente que saia de casa e entrava em outra sem nem pedir licença,um espaço com mesas e guarda sóis onde tinha gente lendo e casais abraçados.

   - Isso te parece com um albergue?
   - Parece muito mais um bairro de classe média,desses que precisa de interfone pra entrar.
   - Por isso que eu fico lá na frente,pra saber quem chega e o que quer.
   - Eu nem lembro como cheguei aqui.
   - Ai coitadinho,gente! Gente! Cheguem aqui,queridas! O trauma foi tão forte que ele nem sabe como chegou aqui.
  
"Ai que lindinho";"Meu Deus,que pecado"; "Querido, é ativo ou passivo";"O que te aconteceu?"; "Quando você descobriu que é bicha?"; "Se abala não, querida";"Me passa o whats?";"Que não seja little monster";"Qual é a tua diva?";"Devem ter visto ele usando roupa da mãe...";"Tem cara de que nem sabe fazer chuca";"Ai querido,fica calmo";"Sabe fazer twerk?";"Quem daqui você pegaria?"...

 - Gente! Mais calma,pensa numa neide.
 Risos
 - Vocês precisam me ensinar a língua de vocês,é sério.
- Então vem cá que eu tenho um casal pra te apresentar.
- Mas eu nem sei quem você é.
- Tudo bem, eu sou o Jorginho.
- Oi,esse lugar é tão bonito.
- Tudo bem,coisinha do raciocínio lento.Agora me desaquenda daqui.Por favor,querida.
- Mas você não me apresentou aqueles, aqueles que você falou...
- O casal, alice.Vem comigo.

Ven comigo,ven comigo baby.Christina Aguilera,certo?











CONTINUA...



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