Pra Variar,Estamos Em Guerra.
Umas três colegas começaram a discutir sobre militâncias depois da aula de teatro.Bem, discutir é o que eles mais fazem mas daquela vez foi diferente pois tinha a ver com uma cena que elas planejaram apresentar para o nosso professor em que uma das meninas usa uma camisa que falava de forma bem incisiva e emblemática sobre a luta contra o genocídio.Tudo bem se não fosse uma menina branca e loira, era justamente por isso que as coisas se acaloraram mais do que deviam.Uma delas era negra e te bastante contato com o movimento, tinham uma forma de olhar diferente delas por esta razão.
Eu não me considero dentro de movimento nenhum entretanto, me sinto na responsabilidade de desconstruir tudo o que me foi imposto como certo e indiscutível antes mesmo que eu tivesse faculdades mentais que me induzissem a questionamentos e observei a tudo.Ás vezes, acho que minha opinião é tão em cima do muro que eu mais observo do que falo alguma coisa.
Depois fui me confessar sobre uma coisa muito íntima que tinha a ver com a postagem de uma página que eu sigo que é permeada por diferentes pautas e aborda elas de uma maneira praticamente didática, por meio de tirinhas.Eu disse sobre o quanto que chorar é uma coisa problemática pra mim, mais do que relacionado á heteronormatividade (que vem do ódio que se tem por tudo o que seja relacionado ao gênero feminino),áquilo é relacionado a uma experiência próxima de um trauma.Parece que muita gente se identificou com aquilo bem como as coisas que eu disse mas uma moça disse que eu deveria procurar algo de menos fútil para fazer,ajudar necessitados por exemplo.
Eu realmente não sei como ajudar outras pessoas se não sei nem como me defender, ninguém sabia disso até agora mas eu tenho medo de moradores de rua, medo de ser abordado por eles, medo de estar tentando abir a porta de casa na volta do teatro e policiais me autuarem por pensarem que estou invadindo.Medos que dentre outros, me deixam em estado de conflito interno, vontade e ação estão em trincheiras e,entre elas, há um campo minado.
Quando estou em guerra comigo mesmo, tento esvaziar a cabeça.Tento pensar em ajeitar minha vida e, vagarosamente, tentar partir para causas mais altruístas como das Mães de Maio,aquele protesto me deixou rouco até hoje mas pelo menos tinha coxinhas e groselha.Tem algumas guerras pelas quais vale lutar mas é aquela coisa, saiba qual é seu inimigo.
E que este não seja a democracia, por favor.