sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Aqui,Nessa Mesa de Bar


Música alta,pessoas alteras na calçada.E um rapaz,estilo social esporte,bolsa lateral de couro-falso pois o cara contribui para o Greenpeace- entra calmamente no que parece ser uma cervejaria.
Ao menos,parecia.

 - Licença,vocês tem câncer?
 - Aqui é o lugar certo!Você prefere safra doze anos? Qualquer coisa,tem uma cirrose da brava pra ti também e o preço é bacana.
 - Não sei muito bem,não entendo essas coisas.Me mostra que tipos que vocês tem...
 - O dia foi bem movimentado,não sei....Juninho!? Juninho!? Moleque mole do caralho,Juninho!?
 - Calma, já cheguei.
 - Vê pra mim uma demonstração da nossa cartela de opções.
 - Tudo bem,pai.Por aqui,senhor.É só me seguir até o balcão.O senhor permite eu perguntar, tens alguma preferência?

Neste momento,eles caminham lentamente por uma curta distância até o balcão.Todavia continuam conversando.

  - Um dia desses eu fui pesquisar uma tal de pelagra,é uma maravilha.
  - Mas não acha que diarreias constantes são pra crianças? Me perdoe mas o senhor precisa de algo mais másculo, mais a sua cara.Posso fazer uma sugestão?
 - Claro.

Juninho se descola mais ao canto e abre uma pequena escada.De lá do topo...

 - Esse daqui...trombose.Atenção pois pra você realmente sentir esse daqui descer redondinho precisa tomar por um certo tempo, tipo, até ter bastante no teu sangue.Se você tiver sorte,vai que te dá um infarto hein?
 - Legal.Mas acho que ainda preciso de mais opções.
Descendo alguns degraus,ele continua.
 - Tudo bem,que tal uma inflamação no fígado? O povão conhece por hepatite.
 - Interessante.
 - Esse é um clássico, Gastrite.É forte, é implacável, não é do tipo que te mata mas bem que ajuda.
 - Ainda bem, morrer sem sofrer não tem graça.
 - Esse é o espírito!!
 - Gostei do senhor,faz o meu tipo.Juninho disse voltando-se ao cliente, se aproximando e acariciando-o de forma maliciosa.Se quiser, eu tenho um que é especial que eu posso te fornecer de graça.
 - Do que você tá falando?
 - Daquela doença anteriormente conhecida como a peste gay...Aids.
 - Achei que nem existisse mais.
 - Me acompanhe que eu te mostro o que não existe...
 - O que? Como assim? Perdeu o juízo?
 - Mas você não está curioso?
 - Talvez mas...que tipo de doença é essa que não se bebe?
 - Espera, não vem problematizar aqui não.
 - Não senhor,acho que prefiro outra coisa.
 - Tudo bem,deixe eu me recompor.O senhor tem uma ideia do que quer?
 - Eu quero alguma coisa pra me fazer perder a cabeça.
 - Hmm,acho que entendi.
 - O senhor precisa de um coma alcoólico.
 - Ah mas vocês só tem coisas tipo isso,acho que vou querer algo mais leve.Tipo,só pra perder alguns neurônios.
 - Então dá uma passadinha lá na esquina que eles tem massa lá,aqui não tem nada disso.
 - Maconha você diz?
 - Você me entendeu.
 - Tudo bem então.Boa tarde e que Deus te abençoe.
 - Deus?Mas agora eu preciso dizer...Se o mundo existe,graças a Deus,por que existe? Graças a Deus porque nós fazemos o mundo,desculpa falar...



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