quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Karina Buhr - Selvática (Resenha)




Eu sempre consumi bastante música como alguém que sempre teve dificuldade de se expressar e escrevendo versos,descobriu a libertadora proeza da escrita.Agora resolvi falar desse disco que saiu ano passado, um dos poucos lançamentos que eu acompanhei, e até hoje me chama atenção.Eu não preciso comentar sobre a carreira dela pois essas informações se encontra facilmente on line.As bandas nas quais ela já foi percussionista,uma carreira bem sucedida como atriz de teatro e,agora, uma cantora-compositora-poeta-ativista independente, no controle de tudo o que faz e um dos destaques da música atual.
Esse disco,que veio de um livreto de poemas lançado previamente por ela mesma, mostra um desenvolvimento de tudo o que ela já fazia, assimilando diferentes estilos de rock com a música nacional e um sotaque muito gostoso.O disco começa com Dragão, leve e despretensiosa, falando sobre os leões que enfrentamos todos os dias e como não é tão ruim estar triste, afinal de contas.Alcunha de Ladrão também possui a mesma vibe  só que um pouco mais ska e menos dub.A música faz um comentário sobre o que a fome e a necessidade fazem com alguém em desespero.Todavia, há um tom mais cômico nisso.
Tudo nesse disco soa diferente,a produção, a qualidade da gravação e equalização das faixas.Fora que há uma mudança na sonoridade também,por causa da pequena mudança de formação da banda de peso que a acompanha já faz anos.Aqui,há a presença de sintetizadores , mesmo em momentos mais pesados como a toda-poderosa Eu Sou Um Monstro, Conta Gotas que lembra estranhamente o brit pop e o rock do início do século.Até mesmo na urgente Pic Nic, uma forma divertida de falar da dinâmica de uma família e as diferenças em relação a vida dos patrões e da empregada. Casa de Prédio é o mais próximo do punk rock que o disco chega mas não deixa de ser pesada, assim como a faixa-título que inspirada em versículos da Bíblia, enaltece o valor da mulher, a mulher guerreira, que luta pelo o que quer, diferente do comportamento que a própria Bíblia indica como comportamento correto.Não há nada de submissão nestas terras.






Inclusive,Karina é protagonista nesse disco, empoderada de suas verdades ela aborda a violência doméstica em Esôfago, a imbatível amazona de Rimã, a destemida porém vulnerável de Vela e Navalha e até mesmo a romântica de Desperdiço-Te-Me.
Experimentando as diferentes nuances de quem ela é, o disco tem coesão,uma mensagem coerente e necessária (apesar de ela mesma admitir não gostar que seja preciso endereçar esses temas), uma versatilidade de sons que esbarram em diferentes direções mas possui um caminho particular e bonito de se apreciar apesar dos espinhos, moscas e relva alta.











Nota: 9,0


http://www.karinabuhr.com.br/
https://www.youtube.com/watch?v=CHdUGygVjj4

Um comentário:

  1. Hey...parabéns! Vislumbro um bom crítico musical...continue nesse caminho da escrita, que a cada dia você estará mais próximo de realmente "chegar lá". Abço, Dyego Costa

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