quinta-feira, 3 de dezembro de 2015



                      Sobre Como e Para Que Nascemos

 





         Um dia desses,acompanhei minha mãe no médico.Era um lugar pequeno e todo branco que,fora o térreo,só tinha mais um andar e pra chegar na sala do doutor,a gente usou as escadas.Nesse caminho,a gente foi subindo as escadas e na parede tinha um quadro com dois repolhos,dentro de cada um tinha um bebê,com uma cara estranha de surpresa,olhando pra mim.
         Não falei nada pra minha mãe mas eu ria que me acabava e a mamãe não sabia se me censurava ou ria junto.Longe de mim querer me intrometer no assunto deles então nem se quer fiquei perto quando a mãe foi atendida,fui brincar de trilha com umas pecinhas coloridas que ficavam presas a um trambolho estranho,pra cada peça tinha um caminho cheio de voltas e, no final, tudo voltava pro mesmo lugar.
         Ótimo,cheguei em casa e o pai tinha saído, aí fui ver desenho.Tava tudo bem,não tinha ninguém que me incomodasse.Só que de tão cansado,acabei dormindo.
      Sonhei com os meus pais indo na feira,comprando um monte de coisa, aí eles chegaram na barraca de repolho e ficaram um tempão escolhendo,olhando,pegando, toda uma cerimônia até decidir qual repolho levar.Eles voltaram pra casa tão felizes que receberam os vizinhos que os estavam cumprimentando,parabenizando e tal.Chegaram em casa e a primeira coisa que fizeram foi tirar as compras da sacola de feira.Meu pai pegou o repolho,minha mãe ficou observando ele lavar.Depois,lá foram as mãos dela abrir o repolho.
          Lá estava eu.
       Acordei nesse momento todo suado, com a minha mãe chamando pra jantar.Tomei banho,me arrumei e minha mãe, assim que me viu, me chamou pra comer salada.Era um que eu nunca tinha comido antes...Dura,branca e meio verde.Mamãe falou que aquilo era repolho em tirinhas.
          Vomitei a noite toda.
           Hoje, eu penso que ser criança é bom por quê você tem a cabeça livre para sonhar,pegar o bom da vida e aproveitar.
        Quando crescemos, a gente percebe que não pode viver do mesmo jeito, acabamos por descobrir a verdade.E a verdade dói, como um parto.
         A vida é um parto
         Dor e deleite andam juntos.
         Sempre.
          





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